Palestra no IRH debate prevenção a DST
Sassepe
Pensando no bem estar e na saúde de seus estagiários e também dos aprendizes da Fundação de Aposentadoria e Pensões dos Servidores do Estado (Funape), o Instituto de Recursos Humanos de Pernambuco (IRH-PE) abriu suas portas para que a enfermeira, especialista em saúde pública, Roberta Correia, ministrasse uma palestra sobre prevenção e tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). A palestra foi realizada nessa terça-feira (27), nos períodos da manhã e da tarde, no auditório do Instituto.
Roberta falou, antes da palestra, que não existem mais campanhas regulares contra a AIDS. “Prevenção a gente não está vendo mais. Só existem campanhas no Carnaval. Por isso acaba virando um folclore, as campanhas se reduzem a estimular o uso de camisinha e isso é uma grande falha”, destacou. Além disso, ela explicou que a falta de debates sobre gênero e sexualidade nas escolas é outro fator que agrava a proliferação dessas doenças. Isso tudo acaba resultando no fato de que Pernambuco sofre, atualmente, uma epidemia de sífilis.
Ao falar da Gestos, ONG da qual faz parte, Roberta explica que a sua principal missão é lutar pelos Direitos Humanos das pessoas com HIV e Aids. Ao falar do vírus, ela explica que a melhor forma de combatê-lo é, além da conscientização sobre a inserção social das pessoas soropositivas, a quebra da corrente infecciosa.
A enfermeira ainda alertou para o crescimento de 11% das infecções entre os jovens brasileiros. Para ela, esse aumento ocorre pelo fato de que eles não viveram a época em que a Aids era visível na aparência do doente. “No meu tempo, quem pegava o vírus do HIV emagrecia, ficava fraco e logo partia para a morte. Mas os jovens não viram isso”, explica.
Roberta elucidou os sintomas, as consequências, as formas de contágio e os métodos de prevenção das DSTs mais comuns. Conforme a palestra ia avançando, os jovens tiravam suas dúvidas, davam exemplos e interagiam com a palestrante. Um dos jovens que estava na plateia citou que os colegas de seu bairro deixaram de jogar futebol com um amigo após descobrirem que ele era soropositivo.
A especialista em DSTs expôs que esse isolamento social de pessoas com HIV é uma prática comum na sociedade, mas que não existe justificativa médica para tal fato. Na verdade, esse preconceito que acontece contra pessoas infectadas acaba piorando seu quadro, pois elas acabam não encontrando apoio e ajuda da sociedade. Como foi o caso do ator Pernalonga, que morreu em Olinda no ano 2000 após ser esfaqueado na rua onde morava. Sua morte poderia ter sido evitada caso tivesse recebido socorro imediato dos vizinhos, que por terem ciência de que ele era portador do HIV, tinham medo de serem contaminados.
Ela mostrou que o vírus, por ser transmitido através do sangue e ser volátil, só poderia contaminar alguém se houvesse contato de sangue infectado em alguma superfície exposta, como um ferimento aberto. Além disso, o vírus não resiste muito tempo no ar. Então, mesmo que o sangue infectado entrasse em contato com a pele, provavelmente o vírus morreria.
Os jovens tiveram impressões positivas sobre as falas de Roberta. Vanessa Campos, 21 anos, que estagia no setor financeiro do IRH, respondeu: “Gostei muito, foi bem esclarecedor, pois ficamos à vontade para falar sobre certos tabus. Para o público jovem é muito bom, pois eles vão começar a vida sexual com conhecimento”. Já Renan Martins, 20 anos, estagiário do mesmo setor, disse que o momento tinha sido bom para tirar dúvidas que ele utilizará no seu dia a dia.
Vale lembrar que na Gestos são feitos, gratuitamente, testes de HIV. A ONG fica na Rua dos Médicis, 68, bairro da Boa Vista, Recife.
Texto: Victor Augusto
Fotos: Marina Didier, Thiago Lúcio e Victor Augusto