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Curso ensina a manter o cérebro saudável

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Você costuma esquecer com frequência de fatos recentes do seu cotidiano? Não lembra, por exemplo, qual a roupa que vestiu ontem ou o que comeu no café da manhã? Se a resposta for sim, pode ser um sinal de que você precisa trabalhar melhor o seu cérebro. Existem vários fatores que contribuem para o bom funcionamento da memória. E adotar hábitos simples podem ajudar a prevenir o esquecimento. Ter um estilo de vida mentalmente ativo, dormir bem, praticar atividade física de forma regular, ter uma dieta saudável, diminuir o estresse ou a ansiedade são algumas dicas importantes. 

De acordo com a professora e gerontóloga Conceição Batista, o esquecimento pode estar relacionado a uma sobrecarga de tarefas e responsabilidades, a cansaço por dormir pouco ou à má alimentação. Ela diz, no entanto, que alguns lapsos de memória são normais. “A nossa memória é seletiva, mas é preciso prestar atenção quando isso passar a ser um problema”, destaca Conceição, que ministrou no auditório do IRH, entre os dias 22 e 25 de maio, um curso in company para servidores do órgão e também da Funape. O objetivo da capacitação foi entender como estimular o cérebro e o controle dos sentidos emocional e social, prevenindo a perda de memória e aumentando a agilidade mental. O curso foi realizado por meio do Centro de Formação dos Servidores do Estado (Cefospe) e voltado para colaboradores com idade a partir de 50 anos. 

Conceição cita alguns fatores de risco relacionados com o declínio da memória, como hereditariedade, deficiência de vitamina B12, depressão, ansiedade, nível educacional, entre outros. “O índice de demência é muito maior nas pessoas que têm um nível de escolaridade baixo. Por quê? Porque elas têm poucas memórias consolidadas e os estímulos que recebem elas não conseguem consolidar como uma pessoa que tem escolaridade maior. Então ler, estudar, é importante demais. Ivan Izquierdo (médico e cientista argentino) diz que o melhor remédio para evitar problema de memória é a leitura”, conta a gerontóloga. 

Assim como é importante a prática de atividade física para o bom funcionamento do corpo, o cuidado com a mente passa a ser essencial para uma mente ativa. “Isso pode fazer com que a gente amplie a nossa reserva cognitiva, que pode no futuro postergar aparecimento de demências e de outras doenças ligadas à questão cerebral”, explica Conceição, que mostrou durante o curso os tipos de memória e como cada uma funciona. Também foram aplicados durante a capacitação exercícios de raciocínio e lógica.

Para trabalhar a memória autobiográfica, aquela que combina experiências e conhecimentos coletados ao longo da vida, os servidores levaram fotografias antigas. Foi o momento em que muitos se emocionaram ao lembrar de fatos importantes do passado. Ainda no mesmo tema, os participantes foram convidados a sentir o cheiro de vários temperos para saber que recordação trazia cada um. Com os olhos fechados, eles tentaram distinguir entre o cominho, orégano, louro, entre outros.  

Estratégias de memorização também foram abordadas durante o curso. Uma das mais conhecidas é a da repetição, que consiste em redizer mentalmente, pelo tempo possível, uma determinada informação que precisa ser memorizada (nomes, textos, listas, etc). Outra técnica é a da primeira letra. Cria-se uma frase cujas primeiras letras sejam a inicial de uma série de informações que se queira memorizar. Há também a estratégia da categorização. Permite que as informações sejam colocadas em categorias, reduzindo a sobrecarga de dados no momento da memorização.

Os servidores participaram ainda de uma sessão de meditação. Fecharam os olhos e ouviram da gerontóloga algumas instruções, como respirar calmamente e limpar a mente de pensamentos. “Se você conseguir fazer cinco minutos pela manhã e cinco minutos à noite, vai sentir uma diferença na sua fisiologia com o passar do tempo. Você vai dormir melhor, vai se sentir melhor. O benefício vem com a continuidade. É como atividade física. Tem que ter uma regularidade”, afirmou Conceição, que faz meditação há 20 anos. 

“Vocês não imaginam o ganho. É algo extraordinário. A capacidade de concentração, de percepção da emoção, do ambiente, muda completamente. O nível de estresse reduz muito. Já foram feitos vários estudos sobre meditação que mostram que ela amplia a região do hipocampo, que é uma região central da memória”, destacou Conceição, que aproveitou a oportunidade para sugerir sessões frequentes de meditação dentro do órgão. “Essa é uma técnica que pode ser usada pelo IRH. Reúne um grupo em uma sala e faz antes do expediente. Eu acho que seria excelente. Traria ótimos resultados”. 

A gerente de Gestão de Pessoas do IRH, Viviane Marques, agradeceu a presença dos servidores no curso. “Espero que tenham gostado e que continuem mantendo o cérebro de vocês saudável. Temos que estar sempre interagindo”, declarou. “É muito importante estarmos sempre em atividade, sempre buscando o aprendizado. Não existe idade para o conhecimento”, completou Marliete Carvalho, chefe do Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento de Pessoas e Estágio. Ela aproveitou a oportunidade para convidar os servidores a participarem de outros cursos, como o de Inteligência Emocional (em junho) e o básico de Licitações (em julho). “Verei a possibilidade de trazer também o curso de Coach, que é muito importante”, adianta.

A servidora da Funape, Josie Araújo, participou do curso e se disse entusiasmada. “Eu queria registrar aqui que o IRH está de parabéns pela valorização às pessoas”, declarou para todo o auditório. “Muito esclarecedor. Para mim foi espetacular porque eu tenho dificuldade em memorizar coisas, guardar mais as mensagens”, disse o servidor do IRH Fernando Burgos, que trabalha no setor Financeiro do órgão.
 
Texto e fotos: Rossane Araújo e Thiago Lúcio