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O dia a dia para acolher e transportar pacientes dentro do hospital

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“Quando um carro chega com o paciente, no Hospital dos Servidores, me aproximo primeiro com um cumprimento de bom dia. Dou uma cadeira para a pessoa sentar e aguardo o encaminhamento para exames ou internamento. Gosto de dar sempre atenção ao paciente. Ele ser bem recebido é essencial num momento tão delicado, que é estar em unidade de saúde”.

Essa declaração é de Wellington Gonçalves, 53 anos, mais conhecido como Peixe, um dos maqueiros do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), que pega no serviço de segunda a sexta-feira, e recebe, quase diariamente, elogios dos beneficiários. A função, mesmo antiga, ainda traz muita satisfação para quem realiza e tranquilidade para quem está sendo transportado e recebendo os cuidados.

Wellington, está no HSE há cinco anos. Antes trabalhava no Mercado Público, limpando peixe, por isso o apelido. “Recebi o convite de uma colega para fazer um treinamento e trabalhar como maqueiro. Não sabia que iria mudar minha vida. Sou muito feliz com minha profissão”. A mesma satisfação tem o colega Ednaldo Pereira da Silva, 52 anos e 28 anos corredores do HSE. “O cuidar do outro nos ensina que não estamos sozinhos e precisamos um do outro. Em 2002 sofri um acidente de moto, estive do outro lado e senti o carinho e a atenção dos maqueiros que me ajudaram”, conta Ednaldo conhecido no hospital como Juca.

A função do maqueiro é receber os pacientes, encaminhar para áreas solicitadas, conferir e transportar exames, materiais ou equipamentos. Eles providenciam macas e cadeiras de roda para o transporte seguro dos pacientes, por isso são fundamentais no dia a dia dos hospitais, já que o fluxo de pessoas da recepção para centros cirúrgicos, salas de atendimento, UTIs e leitos depende do trabalho que exercem. “Lidamos com pessoas enfermas e, as vezes, carentes de amor, eu procuro passar um pouco de tudo isso para elas”, diz Dorivaldo Falcão, 60, que já trabalhou como vendedor de material de construção, técnico em refrigeração e eletricista, mas se encontrou mesmo foi como maqueiro.

No HSE são 28 profissionais que percorrem os três andares da unidade, uma equipe trabalha como diarista, e a outra no regime de plantão. Edmilson Manoel da Silva, 56 anos, está há 35 anos de plantão se dedicando aos pacientes, transportando e conversando com eles nos momentos bons e nos ruins. “O maqueiro é mais uma das peças fundamentais no atendimento hospitalar, são eles que levam os pacientes para exames, fazem os transportes intersetoriais do hospital e muitas vezes são os confidentes dos pacientes nas horas de maior ansiedade quando estão levando os mesmos para o bloco cirúrgico, e acabam dando uma palavra de conforto e alento aos pacientes. Aqui no HSE são pessoas muito queridas e elogiadas pelos pacientes. Só temos a agradecê-los pelo excelente trabalho”, destaca o diretor médico do HSE, Rogério Ehrhardt.

Os pacientes também se sentem acolhidos e seguros, como explica Maria Myllena Soledade. “Minha mãe realizou em torno de cinco cirurgias no HSE, precisando de cuidados ambulatoriais. Eu fui submetida a três cirurgias, também tendo necessitado de cuidados. Em todos os momentos, esses trabalhadores estiveram presentes e nos acolheram com presteza e competência. Sou muito grata a eles, que nos acompanham e nos ajudam nas nossas limitações. Posso afirmar, que o serviço prestado pelos profissionais maqueiros do HSE podem e devem servir como referência para outros hospitais”.

“Esse trabalho é a minha vida, gosto de me dedicar aos pacientes, transporto eles, mas também converso, passo uma mensagem positiva quando noto que eles estão tristes, e reforço que temos que acreditar primeiramente em Deus”, explica. Edmilson chegou no Hospital para trabalhar na área de jardinagem, mas logo foi chamado para fazer teste, participou de capacitação e até hoje se encanta com o que faz. “Se eu gosto do que faço? Não é à toa que estou há 35 anos nessa atividade”, conclui.

 Texto: Andrea Batista