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Câncer de mama: palestra aborda tabus

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O Instituto de Recursos Humanos (IRH) realizou, na quarta-feira (19), uma palestra para reforçar a campanha de conscientização sobre o Outubro Rosa, mês escolhido para lembrar a todos do câncer de mama e formas de diagnosticá-lo. O médico oncologista Rubens Barros Costa foi convidado para palestrar e discorrer a respeito do tema, que ainda é uma dúvida para alguns. Com o tema Mitos e Verdades sobre o câncer de mama: quebrando preconceitos, a palestra contou com a participação de servidores do IRH e da Fundação de Aposentadoria e Pensões dos Servidores do Estado (Funape).

Durante a palestra, foram abordados dados quantitativos de estudos apurados nos Estados Unidos e informações coletadas no Brasil. Projeções levantadas nessas pesquisas apresentaram uma perspectiva preocupante do ponto de vista de Rubens, que possui uma vasta experiência na área de Oncologia. “A sociedade tem que ter uma atitude proativa em relação ao câncer, do contrário a incidência de casos fatais irá crescer bastante”. 

Em países onde há uma conscientização por parte da população a respeito do câncer de mama o índice de cura é maior, o trabalho é feito em cima de esclarecimento sobre a doença e diagnóstico preventivo. “O desejo tem que partir de todos pela mudança de como enxergamos o câncer”, frisou o médico.

Uma das dúvidas mais frequentes que surgiu durante a palestra foi sobre a questão da idade adequada para se fazer os exames preventivos, fundamentais no processo de identificação da doença. Rubens Costa explicou que não existe idade certa para começar a realizar os exames, isso irá depender do histórico familiar de cada indivíduo, algumas pessoas podem iniciar cedo a prevenção, com menos de 30 anos. “Observem o caso da atriz americana Angelina Jolie, ela tinha forte histórico de câncer de mama na família, fez o mapeamento genético e descobriu que tinha 80% de chance de desenvolver o câncer, resolveu a partir disso minimizar o risco de ter a doença no futuro”, elucidou Rubens. A mamografia, por exemplo, pode ser feita a cada dois anos, mas se forem levados em consideração fatores como o histórico familiar, a ingestão de bebidas alcoólicas, o uso do cigarro e o sedentarismo é possível que esse período de tempo deva ser reduzido pelo médico. 

O palestrante lembrou do fato de que as pessoas não estão morrendo porque têm câncer, elas estão morrendo porque têm a doença em estágio avançado, quando descobrem ela tardiamente. Outro aspecto destacado no evento foi a necessidade de quebrar preconceitos e realizar medidas preventivas a fim de mudar a realidade da doença. Segundo o oncologista, é possível transformar essa perspectiva através da realização de tratamento adequado quando o câncer é diagnosticado cedo.

No evento, foram abordados alguns tabus relacionados à doença. O preconceito com a palavra “câncer”, evitada por muitos, leva ao imaginário de perder várias coisas: perdas no trabalho, na vida sexual, no contexto familiar, muitas vezes pessoas que sofrem da doença são segregadas nesses ambientes devido à falsa ideia de que existe contágio do câncer. No imaginário popular a doença mutila o paciente e o deixa incapaz dentro desses contextos sociais. 

Ao final da palestra, o oncologista Rubens Costa falou sobre a visão da sociedade diante dos tratamentos para a doença. “A sociedade não acredita na cura do câncer, isso precisa ser mudado”, afirmou. Tratamentos recentes como a medida de suporte ao paciente, com a utilização de remédios e analgésicos, meios diagnósticos patch, marcadores tumorais para acompanhar o avanço dos tumores, e terapias alvo moleculares, foram destacadas pelo médico. 

Outros fatores ligados ao câncer são o sedentarismo e a obesidade, é preciso evitá-los, de acordo com o oncologista. Mudanças no estilo de vida, na conscientização ambiental e no diagnóstico precoce são caminhos para combater a doença. O palestrante ainda destacou a necessidade de criação de um check-up oncológico, visto que o câncer é uma doença com alta probabilidade de cura se diagnosticado precocemente.
 
A gerente de Gestão de Pessoas do IRH, Viviane Marques, destacou a importância da iniciativa para todos que estavam presentes, homens e mulheres. “O importante é que todos que participaram do evento possam ser divulgadores ativos dessas informações que receberam aqui. Tirando as dúvidas de outras pessoas lá fora”, pontuou.

Texto e fotos: Marina Didier