HSE é referência em cirurgia bariátrica
Sassepe
A professora foi uma das pacientes operadas no HSE dentro do Programa para Tratamento Cirúrgico da Obesidade, referência no Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado (Sassepe). O programa conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar, formada por nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, endocrinologistas, além do cirurgião. Em média, são realizadas duas cirurgias por mês. “Nosso serviço oferece para este grupo de obesos essa possibilidade de tratamento mediante não só a cirurgia propriamente dita”, explica Marconi Meira, chefe do setor de cirurgia geral do Hospital dos Servidores.
Para ser operado, o paciente precisa participar efetivamente do programa desenvolvido pelo HSE. Mensalmente, são realizadas reuniões para a troca de informações e experiências entre os obesos que farão o procedimento cirúrgico, os já operados e o grupo multidisciplinar. É uma forma de incentivar aqueles que têm algum tipo de receio, pois trata-se de uma cirurgia de grande porte, que detém um grau de complicações inerentes ao procedimento. “A obesidade é hoje uma das doenças mais comuns na nossa realidade. O tratamento mais eficiente e continuado para um grupo de pacientes que tem um determinado peso é a cirurgia”, afirma Meira.
Passados dois anos e quatro meses desde a cirurgia, Nilza ainda frequenta as reuniões. Durante os encontros, ela compartilha sua vivência com outros pacientes que ainda serão operados. “A gente fala das experiências e do resultado obtido”, diz. Atualmente, ela ainda recebe acompanhamento nutricional, psicológico e cardiológico por meio do Sassepe. “Hoje estou com a diabetes controlada e há mais de seis meses não faço mais uso de medicamentos”, comemora.
Além de ter reduzido o número do manequim, a professora passou a ter uma alimentação saudável e a praticar atividade física, o que ela não conseguia fazer antes por conta do obesidade. “Faço caminhada diariamente e musculação três vezes por semana. Foi uma mudança de vida radical. Arrependo-me de não ter feito a cirurgia há mais tempo”, conta Nilza, que hoje se considera uma pessoa tranquila e de vida nova.
Marconi Meira explica que não é toda pessoa que pode realizar o procedimento. “Varia de doente para doente. O obeso pode estar com uma diabetes descontrolada, uma hipertensão, uma doença articular ou coronariana. Ele vai participando das reuniões e paralelamente vai fazendo todos os exames para estar apto a ser submetido à operação”, detalha. Segundo Meira, o paciente precisa estar o mais preparado possível para o procedimento, não só do ponto de vista físico, mas também emocional. “É uma mudança radical de programa de vida. A gente opera com o intuito de controlar a obesidade e as doenças associadas”. Atualmente, cerca de 15 pacientes participam do programa.
“Já tivemos um paciente com 290 kg. Ele ficou seis meses internado. Modificamos a dieta dele, que perdeu cerca de 40 kg, e realizamos a operação. Hoje ele perdeu quase 200 kg e está muito bem”, conta Marconi Meira. “As pessoas de classe econômica menos favorecida, principalmente, se alimentam muito mal. Comem predominantemente alimentos ricos em carboidrato, mas pobres em proteína. Eles têm desnutrição e obesidade. A gente quer com esses pacientes resgatar a qualidade de vida deles. Os resultados são muito bons”.
A obesidade está associada a riscos para a saúde devido à sua relação com várias complicações metabólicas. Em 2012, o Ministério da Saúde realizou uma pesquisa mostrando que, pela primeira vez, o percentual de pessoas com excesso de peso superou mais da metade da população brasileira. Segundo o levantamento, 51% da população (acima de 18 anos) está acima do peso ideal. Em 2006, o índice era de 43%. Entre os homens, o excesso de peso atinge 54% e entre as mulheres, 48%.