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Ele tem 250 quilos e luta pela vida

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Orlando Júnior, 45 anos, que está no Hospital de Servidores, faz regime intenso para se submeter a uma cirurgia de redução de estômago, em novembro

A equipe do Serviço de Cirurgia Bariátrica (ou da Obesidade) do Hospital dos Servidores do Estado (HSE) está diante do maior desafio já vivido desde que o programa foi implantado, em 2004. Um paciente com 250 quilos luta para chegar às condições físicas necessárias para passar pelo procedimento com o mínimo de risco possível. Ele já perdeu 50 quilos e está muito próximo de recuperar a saúde, a mobilidade e o peso que tinha antes de tornar-se obeso mórbido. Internado desde junho deste ano, confinado em um quarto da enfermaria da unidade, submetido a um regime intenso, ele pode estar a um mês da cirurgia - mas precisa perder ainda 10 quilos até novembro.

O vendedor Orlando Pinheiro Júnior, 45 anos, é o retrato de como o descuido e informações equivocadas podem desequilibrar o funcionamento do organismo. E de como o excesso de peso pode limitar a vida de alguém.

“Sempre fui uma criança gordinha, mas aos 10 anos fiz regime e ficou tudo normal. Mas aí passou a adolescência e voltei a engordar. Tinha 100 quilos até os 35 anos, o que não era muita coisa, já que tenho 1,86 metro. Mas aí, depois disso, comecei a ganhar muito peso”, conta.

Vendedor autônomo, acostumado a trabalhar na rua, em contato com as pessoas, há três anos precisou abandonar boa parte da atividade. “Não tinha condições de sair. Passei a vender apenas pelo telefone, mas não é o ideal. O movimento caiu muito. Também deixei de sair, de ter vida social, de passear com minha esposa”, lembra o vendedor.

De fato, quando chegou ao HSE, estava com a saúde muito debilitada. Embora não apresentasse hipertensão, doença cardíaca ou diabete, a situação se agravava por causa da gordura. “Ele não aguentava andar 15 metros que ficava cansado, com falta de ar, suando muito. A qualidade de vida dele era baixíssima”, conta o cirurgião do Serviço de Obesidade do HSE, Gilberto Pagnossin.

Por causa do estado de Orlando, a equipe decidiu interná-lo. Para isso, precisou adaptar o hospital, que mesmo acostumado a receber pacientes obesos mórbidos, nunca havia abrigado alguém com peso tão alto. “Precisamos de aparelhos sanitários adequados, portas com passagens largas o suficiente, camas e colchões especiais, porque as que tínhamos aqui ficavam pequenas”, contou o médico.

Quatro meses depois, os avanços são visíveis e a equipe está otimista. “Hoje, ele dá até doze voltas na enfermaria e não cansa. Seu condicionamento cardiovascular melhorou muito mesmo”, comemora Pagnossin. A previsão é que a cirurgia seja realizada em novembro, se o paciente conseguir manter a curva de perda de peso.

Com a possibilidade de recomeçar a vida em um mês, o vendedor já começa a traçar planos para o futuro próximo. Casado há sete anos, já sabe qual será a primeira providência, passada essa fase difícil. “Quero ter um filho. Minha esposa já tem dois filhos do outro casamento, mas queremos ter nosso bebê”, conta.

A segunda prioridade tem função social. “Quando eu estava sem orientação, segui todas aquelas dietas milagrosas. Perdia cinco quilos, ganhava dez. Quero levar informações para os gordinhos”. Para isso, enquanto só pode contar com a internet, montou um blog, através do qual conta o passo-a-passo do tratamento no HSE. O endereço é o gordinhonanet.blogspot.com.