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Hospital dos Servidores interna paciente de 300 kg para cirurgia de redução de estômago

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Confinado em uma enfermaria do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), Orlando Pinheiro Júnior, aos 45 anos, luta por saúde e praticamente contra os próprios impulsos. Internado há quatro meses, o vendedor autônomo perdeu 50,7 de seus 297,8 quilos, mas nessa corrida, ainda está em 25% do percurso. Este é o primeiro caso do Programa de Prevenção e Controle da Obesidade da unidade de saúde em que o monitoramento psicológico, clínico e nutricional é realizado 24h por dia, como um tratamento prévio à cirurgia bariátrica, a chamada ‘redução de estômago’.

Durante toda a vida, Orlando teve que conviver com o preconceito pro ser gordo. Até mesmo seu nascimento chamou a atenção de todos, com seus 5,85 kg. A partir daí, o excesso de gordura foi sempre sendo somado, bem como os contrangimentos, chegando ao ponto de ter sido ressarcido na justiça por uma empresa de ônibus, cujo motorista impediu sua entrada pela porta de trás do veículo, alegando que problema dele seria “comer demais”. Apesar das ofensas superadas, mas não esquecidas, o processo de ‘autosabotagem’, como define, continuou. “Você sempre usa a desculpa que a calça não deu porque estava velha. Compra uma outra, dois números maiores e se satisfaz porque ‘caiu bem’. Engorda e não percebe. Mas porque também não quer perceber”, lembra. 

 O paciente deu entrada no HSE no último dia 21 de junho, uma semana antes de seu aniversário, quando decidiu mudar de vida. Hoje, com 247,1 kg, distribuídos em seus 1m86, ele faz de sua companhia constante a TV, o videogame e um notebook, que serve principalmente para abastecer o blog gordinhonanet, onde descreve toda a experiência. Contato com o ‘mundo real’, apenas em visitas de familiares e amigos, mas nada de deixar o hospital. “Se eu for passar um final de semana em casa, não sei o que pode acontecer com todo o preparo psicológico ao qual venho me submetendo, então fico por aqui. Trabalho por telefone e vejo minha esposa todos os dias. Vim por vontade própria e vi que era hora de, literalmente, tirar um peso de mim. É o preço”, avalia.

 De acordo com o cirurgião, Gilberto Pagnossim, Orlando não apresentava doenças comuns a pacientes que apresentam obesidade grau 3, como hipertensão ou diabetes, mas já apresentava estriatose hepática (alto nível de concentração de gordura no fígado), além de um comprometimento de sua condição cardiorespiratória. “Ele tinha dificuldades de locomoção e cansava depois de andar 20 metros. Isso significa apenas um volta em nosso corredor. Hoje, ele já consegue cobrir uma distância dez vezes maior. Isso nos dá uma maior segurança para realizar o procedimento cirúrgico e eleva a expectativa de perda de peso ao final do tratamento do pós-operatório”, explica.

Para recebê-lo, foram necessárias adaptações no próprio hospital. A porta que dá acesso ao leito passou a ser dupla e a maca, de ferro, reformada. O banheiro ganhou corrimões e bacia sanitária passou por um reforço em concreto, projetado pela própria esposa de Orlando, que já se acostumava às rachaduras nos utensílios da própria casa. Um esforço inédito no programa que já tratou outros 100 pacientes, desde 2004. 

Hoje, cerca de 90% dos operados são acompanhados de perto pela equipe de médicos, que realizam um total de quatro procedimentos cirúrgicos mensais. O projeto pode ser expandido nos próximos meses, mas na fila de espera, restam apenas cinco pacientes. Um deles, Orlando, vê nas concessões feitas em seu benefício uma oportunidade e uma certeza de que “uma nova (e melhor) vida é possível.”