Ações de inclusão para pessoas com deficiência são tema de palestra
Sassepe
A terceira edição do “Rodas de Conversa”, encontro promovido pela Secretaria de Administração (SAD) em parceria com o Instituto de Recursos Humanos (IRH), foi realizada na última quinta-feira (10). O evento teve como finalidade debater a inclusão de pessoas com algum tipo de necessidade especial, abordar as dificuldades enfrentadas por deficientes auditivos, físicos e visuais e apresentar formas de quebrar o preconceito existente para com esses indivíduos.
A conversa teve início por volta das 9h30 em um espaço montado no refeitório da SAD e ficou marcada pela interação entre as palestrantes e o público. A analista judiciário pedagógica e coordenadora do núcleo educativo do Memorial da Justiça de Pernambuco, Gabriela Severien, iniciou a palestra com um depoimento pessoal: “Para mim, não só como profissional, mas também como pessoa com deficiência auditiva-visual, esse espaço é de grande valor e importância, principalmente para a troca de informações sobre o tema e para mudar o paradigma de exclusão dos deficientes, presente em nossa sociedade”.
“Como quebrar barreiras atitudinais” foi o principal ponto focado por Gabriela durante o diálogo. “As barreiras atitudinais são geradas por atitudes e comportamentos dos indivíduos que impedem o acesso da pessoa com deficiência a um local, objeto ou convívio em sociedade. Como exemplos dessas barreiras, temos o preconceito, o uso indevido de vagas reservadas para deficientes, a falta de intérpretes de libras, de audiodescrição na televisão ou cinema ou até mesmo a falta de um microfone numa sala de aula que possua algum aluno com necessidade auditiva. É necessária uma empatia constante, se colocar no lugar do outro sempre”, explicou a palestrante.
Não demorou muito para a plateia começar a interagir. A arquiteta da Gerência de Arquitetura e Engenharia do Estado (GEARE), Cybelle Bringel, fez uma reflexão a cerca do tema envolvendo sua área de atuação. “Atualmente já é projetado, na construção de prédios e espaços públicos, um banheiro especial para cadeirantes e a implantação de rampas e elevadores acessíveis às pessoas com esse tipo de deficiência. Ainda há muito que evoluir, principalmente no que diz respeito à estruturação desses recursos em locais tombados pela prefeitura, fato que dificulta toda essa elaboração”.
A funcionária da Biblioteca Pública do Estado, Andréa Batista, que até então apenas assistia toda a conversa da plateia, apontou para uma questão interessante. “Trabalho em um espaço público em que diferentes usuários frequentam todos os dias. Em uma escola, é mais fácil garantir a presença de pessoas com necessidades especiais, pois eles irão o ano todo, existe um vínculo. Porém, no caso da biblioteca, não é assim. É muito mais difícil assegurar a volta constante dessas pessoas no local”.
A Roda de Conversa continuou e, cada vez mais, os participantes interagiam, dando opiniões, fazendo críticas e tentando entender a causa da melhor maneira. A mestra em comunicação e gestora com acessibilidade comunicacional, Liliana Tavares, ficou responsável por conduzir a segunda e última parte do evento. A gestora introduziu e explicou as características da “Audiodescrição”.
“O objetivo é o de tirar as pessoas com deficiência de casa, para que possam visitar locais públicos como museus, teatros, cinemas e eventos em geral. A audiodescrição é uma tecnologia assistiva que permite a esses indivíduos se aproximarem e participarem daquilo que está sendo descrito, passado e apresentado”, explicou Liliana. No momento em que falava, o intérprete de libras Jefferson Pereira realizava um tipo de audiodescrição. Passando as informações faladas pela palestrante para o público, ele assegurava que pessoas com algum tipo de deficiência auditiva ficassem totalmente por dentro do que estava sendo debatido.
A audiodescrição pode ser feita também através do braile, para deficientes visuais. “Não é só em áudio. Pode ser feita em libras e braile. A maior dificuldade enfrentada atualmente para a implantação dessa tecnologia está presente no alto custo de implantação desses recursos nos meios de comunicação, como na TV por exemplo. Nos filmes, poucos diretores pensam em deixar reservado um espaço para janela de libras, no canto da tela”, sintetizou Liliana.
A palestra foi encerrada com a palavra da gerente de Atenção ao Servidor da SAD, Dilma Oliveira dos Santos. “Eu confesso que não sabia de algumas coisas que foram debatidas aqui hoje. Foi um momento bastante oportuno. Agregou muito conhecimento para mim acerca do tema e acredito que para todos que vieram participar também. Esse assunto não pode ser deixado de lado de jeito nenhum. E podem aguardar, pois pretendemos continuar promovendo novas edições do Rodas de Conversa futuramente”.
Texto: Gustavo Henrique
Fotos: Thiago Lúcio