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A Secretaria de Administração (SAD), por meio da Secretaria Executiva de Pessoal e Relações Institucionais do Estado (SEPRI) e do Programa Mais Servidor, promoveu nessa terça-feira (27) uma palestra sobre o autismo. O encontro, realizado pela manhã no auditório da SAD, foi o primeiro do programa Rodas de Conversa, cujo objetivo é discutir diversos temas relacionados a deficiências e aproximar os servidores que se enquadram nos requisitos da lei que concede o benefício da jornada de trabalho especial.

A secretária de Pessoal e Relações Institucionais do Estado, Marília Lins, abriu o evento falando da regulamentação da lei. “O horário especial concedido através de lei regulamentada por decreto, no segundo semestre do ano passado, representa muito. Só vocês que vivem o dia a dia de dificuldade e de desafios é que sabem o quão importante tem sido essa medida. Através de portaria da SAD, as primeiras concessões de jornadas especiais de trabalho têm sido publicadas”, afirmou a secretária.

A primeira palestra do programa Rodas de Conversa teve como tema “A realidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no nosso contexto social”. A apresentação ficou a cargo da enfermeira e especialista em Saúde Pública Paula Carolina Aleixo, que falou sobre diversos aspectos do transtorno. “O TEA é um distúrbio neurológico caracterizado pelo comprometimento da interação social e da comunicação e com comportamento restritivo e repetitivo”, explicou.

Segundo Paula, o aspecto mais importante a ser observado em uma criança com autismo é a intervenção precoce. “Quanto mais cedo essa pessoa iniciar o estímulo, iniciar o tratamento, melhor será o seu desenvolvimento e a sua qualidade de vida”, destacou. “Existe uma coisa chamada plasticidade cerebral. É a capacidade que os neurônios têm de se interligarem e de formarem novas conexões para o aprendizado. Então, dizemos que até os 7 anos de idade essa plasticidade tem muito mais força, efetividade, na vida de uma pessoa do que depois. Por isso não podemos perder tempo. Quanto menor for a criança, maior vai ser a plasticidade cerebral dela”, completou.

De acordo com a especialista, já é possível identificar o autismo em bebês com pouco mais de um ano de vida. “Aqui já existe uma nova legislação que torna obrigatória a adoção de um protocolo padronizado por pediatras para avaliações de risco de desenvolvimento psíquico nas crianças até 18 meses de idade”, disse. Segundo Paula, não há no Brasil dados oficiais que mostrem a prevalência do autismo. “Não temos registro aqui, mas eu garanto que é muita gente, que é muita criança sendo diagnosticada no dia a dia com autismo”. Estima-se, no entanto, que existam no país mais de 2 milhões de pessoas com TEA.

Já nos EUA, a taxa de prevalência do distúrbio em crianças americanas é de uma a cada 36 pessoas, segundo dados de 2016 do Centro Nacional de Estatística em Saúde (National Center for Health Statistics - NCHS). “É muita gente para uma sociedade que ainda não entende, que ainda não está informada, que ainda precisa ser inclusiva, que precisa entender que o autismo faz parte do mundo e que, para onde você for, vai encontrar alguém dentro do espectro autista”, afirmou. “É preciso a sociedade se envolver para respeitar, para entender e para ajudar aquela pessoa”, completou.

E quem pode dar o diagnóstico de autismo? “Ele não é dado de qualquer forma. Não é um médico que chega e diz que acha que você tem autismo ou alguém da área da saúde que fala. Esse diagnóstico é baseado em um manual de psiquiatria americano, que é o DSM”, explicou Paula. Segundo a especialista, não há uma causa certa para o surgimento do distúrbio. “Não existe nada definido. Existem muitas evidências. Se vocês assistirem a uma aula de um neurologista, vão ver que tudo causa autismo, desde a diabetes na gestação, a alimentação, a mãe que bebia, o tipo de vida. Não existe nada que se coloque como causa definida”.

De acordo com Paula, o tratamento do autismo deve ser feito com uma equipe multiprofissional. “A depender da criança, quem pode tratar é um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional, um psicólogo, um pedagogo, um psicopedagogo, entre outros. É importante que os profissionais sejam preparados, capacitados, especializados. É um tratamento com um custo muito elevado”, frisou.

Após a palestra, foi aberto um momento para debates, com os servidores tirando diversas dúvidas sobre o TEA. Durante o evento, também foram distribuídos exemplares de uma cartilha sobre o transtorno elaborada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A servidora do IRH, Olga Marinho, também participou do encontro e explicou como fazer o agendamento da perícia para redução da carga horária de trabalho (saiba mais aqui).

Mãe de uma criança autista de 9 anos, a professora Rosibel Araújo esteve no auditório da SAD acompanhada do marido para participar da Roda de Conversa. Ela aprovou a iniciativa da Secretaria. “Para mim foi muito válido. Quanto mais esclarecimento a gente tem, melhor para podermos encarar esse desafio diário”, declarou a professora, que pretende solicitar a redução da carga horária de trabalho para poder cuidar mais do filho, que foi diagnosticado com TEA no ano passado.

A chefe do Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento de Pessoas e Estágio do IRH, Marliete Sá, participou da organização do evento e destacou que o encontro ajudou a orientar muitos pais. “Às vezes a família tem o diagnóstico, mas desconhece o que é e como tratar. Então é uma oportunidade de aprimorar o conhecimento, desmistificar alguns rótulos que são criados e abraçar esse servidor de uma forma social”, declarou. Segundo ela, em abril, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o IRH deverá sediar um evento sobre o tema.

Texto: Thiago Lúcio
Fotos: Marina Didier