Hanseníase: palestra desmistifica tabus
Sassepe
Em referência ao dia 31 de janeiro, Dia Mundial de Combate à Hanseníase, o Hospital dos Servidores do Estado (HSE) promoveu nessa segunda-feira (23) um evento de conscientização a respeito da doença. Maria Clara Aciole, técnica administrativa da Secretaria de Saúde e formada em enfermagem, esteve presente na ocasião como palestrante convidada e conduziu o tema apresentando casos da doença, formas de tratamento e métodos de diagnosticá-la.
Durante a palestra, os pacientes que aguardavam atendimento na recepção do ambulatório tiveram a oportunidade de esclarecer algumas dúvidas a respeito da doença, que já foi conhecida pejorativamente por lepra. “A hanseníase é uma doença que ainda hoje tem muito estigma. A pessoa pode levar uma vida normal, não precisa se isolar da sociedade” pontuou Maria Clara.
A enfermeira explicou que a doença é bastante confundida com o “pano branco”, nome popular da pitiríase versicolor, doença causada por fungo e que não é contagiosa. A hanseníase também é confundida com o vitiligo, caracterizado pelo surgimento de manchas no corpo devido à perda de pigmentação da pele. Mas ao contrário dessas doenças, a hanseníase é contagiosa e pode ser transmitida pelas vias respiratórias. Normalmente a transmissão acontece quando o indivíduo fica em contato direto de três a cinco anos com o doente sem tratamento, contudo, a maior parte da sociedade é imune à bactéria.
A doença bacteriana pode atingir a pele com o surgimento de uma ou mais manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo. No local onde aparecem as manchas há uma diminuição dos pelos, do suor e da sensibilidade. Em alguns casos, podem surgir caroços doloridos e algumas vezes os nervos dos braços e das pernas podem ser comprometidos.
Outro fato curioso a respeito da contaminação da doença é que ela não pode ser transmitida pela placenta, no caso se a mãe estiver infectada o bebê não nascerá contaminado. Para haver a quebra na cadeia da doença é preciso investigar a saúde das pessoas que moram com o doente a fim de estabelecer um método preventivo de tratamento.
Durante o tratamento o paciente pode apresentar algumas características relacionadas ao uso da medicação, a exemplo da mudança na cor da urina, que fica num tom avermelhado, e da coloração da pele, que se torna mais escura. O diagnóstico pode ser feito através de testes de sensibilidade: à dor, à temperatura e ao tato. O tratamento pode durar de 6 a 9 meses e de 12 a 18 meses a depender da recomendação do médico responsável.
A assessora de Relações Institucionais do HSE, Beatriz Gomes, participou do evento destacando a importância de levar esse tipo de conhecimento às pessoas. “Existe um preconceito muito grande ainda sobre a doença e é preciso que haja esclarecimentos a respeito para que ela possa ser encarada de outra forma”, concluiu.
A DOENÇA
É uma doença provocada pelo bacilo de hansen, transmissível e que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Ela provoca manchas esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas e até caroços em qualquer parte do corpo. Nessas regiões há alteração da sensibilidade à dor, ao frio, ao calor e ao tato. A doença tem cura e deve ser tratada em seu estágio inicial, pois se o tratamento for tardio existe a possibilidade de deixar sequelas.
A hanseníase é uma doença que pode evoluir para as seguintes formas: indeterminada, tuberculóide, dimorfa e virchorwiana, esta última forma é considerada a mais grave.
A TRANSMISSÃO
A hanseníase é transmitida por meio das vias respiratórias superiores, através da tosse e do espirro. O contágio ocorre quando há um contato prolongado com o doente que não realiza tratamento.
A doença não é transmitida pelo aperto de mão, abraço ou carinho, não é necessário separar roupas, pratos, talheres e copos do doente. Após 15 dias de tratamento o paciente já não é capaz de contaminar outras pessoas.
O TRATAMENTO
O tratamento é feito por via oral, com a PQT (poliquimioterapia), que é um coquetel de antibióticos. O paciente deve tomar uma dose mensal na Unidade de Saúde e as demais doses devem ser administradas na residência do paciente. A duração pode ser variada de 6 doses em até 9 meses e de 12 doses em até 18 meses.
Texto e foto: Marina Didier