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2º encontro do Rodas de Conversa aborda a Síndrome de Down

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Para marcar o Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado no 21 de março, a Secretaria de Administração (SAD) promoveu, na última quarta-feira (21), o segundo encontro do programa Rodas de Conversa, que todo mês debate com servidores e sociedade em geral temas relacionados a deficiências e ainda fomenta a discussão acerca do Decreto nº 45.785/2017, que regulariza o benefício da jornada especial de trabalho. O evento é uma realização da Secretaria Executiva de Pessoal e Relações Institucionais do Estado (SEPRI) e do Programa Mais Servidor, do qual o IRH faz parte.

“A gente fez muita questão que o momento da nossa Roda de Conversa sobre essa temática fosse hoje. É simbólico, mas representa alguma coisa pra gente. Dá mais peso ao nosso encontro”, destacou Marília Lins, secretária executiva de Pessoal e Relações Institucionais do Estado. “Estamos compartilhando experiências, trocando conhecimento e, principalmente, nos fortalecendo”, completou Marília.
 
A defensora pública do Estado, Natalli Borba Brandi, apresentou a palestra “Síndrome de Down: Infinitas Possibilidades”. Para ela, a data é motivo de comemoração, mas também de luta por uma inclusão efetiva, por um respeito de verdade e pelo reconhecimento das potencialidades desses seres humanos.

“Essa lei que trouxe a redução da jornada de trabalho para os servidores é um avanço. Ela vem no mesmo sentido do Estatuto da Pessoa com Deficiência, elaborado e promulgado no ano passado e que aposta nas potencialidades do indivíduo, e não na deficiência”, declarou Natalli, que é mãe de Laura, de 5 anos, que tem Síndrome de Down.

Para a defensora pública, são leis como essa que garantem a essas pessoas a oportunidade de exercerem a sua própria cidadania. “Essa lei não é um direito do servidor, mas é um direito da pessoa com deficiência, de ter o seu pai, o seu familiar responsável mais disponível para a sua assistência”, afirmou.
 
Em seguida, a médica geneticista Paula Arruda, do Ambulatório de Pediatria do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), unidade ligada à Universidade de Pernambuco (UPE), apresentou as atividades desenvolvidas pela Associação Novo Rumo, da qual é fundadora e diretora. Criada em 2006, a instituição faz o acolhimento de bebês, crianças e adolescentes com síndromes genéticas e é referência em Pernambuco no diagnóstico e tratamento da Síndrome de Down.
 
“A gente acolhe com aconchego”, destacou Paula. A associação, que oferece atendimento com especialistas de diferentes áreas, como genética, fonoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicopedagogia e psicologia, está localizada na Rua Marcionilo Pedrosa, nº 52, no bairro de Casa Amarela, zona norte do Recife.

Já a servidora da Secretaria Estadual de Educação, Alessandra Albuquerque, falou um pouco sobre grupos de estimulação para auxiliar pais com filhos com a Síndrome de Down. Segundo ela, é importante buscar outras atividades, como aulas de dança e teatro, para complementar o atendimento já feito por especialistas (fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas, etc).

“Durante o decorrer da vida tem outras terapias e estimulações que são imprescindíveis. É o que eu mais quero: poder não estar mais aqui um dia e meu filho ter total autonomia para falar por ele. Mas até chegar aí, a gente sabe que tem um caminho a construir”, afirmou Alessandra.

Ao final do evento, Larissa Neres, 17 anos, integrante do Projeto Down +, fez uma demonstração da dança do ventre para os participantes presentes. Há dois anos ela faz aulas na escola Atos, localizada na Rua Cônego Barata, no bairro da Tamarineira. “É muito divertido fazer a dança do ventre”, contou entusiasmada. Com muito orgulho, a mãe, Alexsandra Neres, acompanhou tudo bem de perto.

O evento contou ainda com as exposições dos jovens Lucas Evaristo, Camila Basílio e Janaína Alexandrino. Lucas, que tem 17 anos e é filho da servidora Alessandra Evaristo, exibiu algumas fotos que tirou em parceria com o projeto Recife Assombrado. A ideia foi retratar em imagens as principais lendas que rondam a capital pernambucana, considerada a cidade mais assombrada do Brasil.

Já Camila Basílio, 19 anos, apresentou a exposição “Mandalas e Poesias”, desenvolvida em conjunto com a artista plástica Fátima Paes. A exposição é composta por mandalas pintadas com tinta acrílica sobre madeira e associadas a poesias feitas pela própria jovem. “Sempre gostei de arte desde pequena”, afirmou Camila, que hoje faz o primeiro período do curso superior de Design Gráfico. “Interessei-me por mandalas após ganhar um livro da minha avó materna. Fiquei muito encantada, tive o sonho de criar e corri atrás”. Já o interesse por poesia, segundo ela, surgiu após ler um livro do seu tataravô.

Janaína Alexandrino, por sua vez, expôs garrafas decoradas com colagens de revistas. A jovem de 26 anos aprendeu a técnica durante aulas na Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade (APABB).

Texto: Thiago Lúcio
Fotos: Marina Didier